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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

LER PARA CRER

Eu, Zita Margarida Barreira Esteves, sou natural de Bragança e tenho cinquenta e três anos de idade.

Desde muito pequena comecei a ler e procurei meios de encontrar os livros que não podia comprar. Assim, a única possibilidade que tive ao meu dispor foi a Biblioteca Itinerante, que não era mais do que uma carrinha que estacionava quinzenalmente perto da casa onde morava. Para iniciar a minha actividade de leitura foi necessário a minha professora da Escola Primária preencher um cartão com os meus dados e assumir que eu iria cumprir todas as regras. Desde essa altura e quinzenalmente procedia à requisição de livros para leitura domiciliária. Recordo-me que mal chegava às prateleiras dos livros e era a senhora que me ajudava a tirar os livros que queria ler. Podia escolher até seis livros e apenas tinha que os estimar e devolver em boas condições na data estipulada. Sempre cumpri a sua entrega e quase sempre os lia todos nas duas semanas de que dispunha. Quando tal não acontecia requisitava-os de novo.

Comecei por ler as histórias do “Pequenu”, que era um a anãozinho cheio de poderes que tudo resolvia e ajudava quem precisava, Os livros eram ilustrados com maravilhosos desenhos feitos a tinta-da-china. Outros livros de histórias com os contos tradicionais de fadas e de bruxas foram, a par dos livros da “Anita na Praia”, na Quinta, no Circo, na Cozinha, (...), a minha delícia de leitura infantil.

O hábito de ler e a curiosidade fizeram de mim uma leitora assídua. À medida que crescia fui escolhendo livros de maior complexidade, um livro grande e de texto denso era para mim um desafio, não me recordo de alguma vez ter deixado um livro a meio. Gosto muito de ler e quando exerci as funções de Educadora de Infância adorava contar e ler para as crianças do Jardim-de-infância as histórias que os deixavam, a eles e a mim, a sonhar e a fantasiar. A leitura dá-me muito prazer e gosto de ler horas seguidas.

Tenho o hábito de ler por gosto e motivação pessoal. Adoro ler histórias feitas para os mais pequenos, um bom romance, livros policiais, livros científicos, enfim gosto de ler! A minha mãe costumava dizer que o “saber não ocupa lugar” e na verdade através da leitura aprendemos quase tudo o que sabemos. A leitura ajudou-me a ser o que hoje sou, foi através da leitura que aprendi a: justificar, a fundamentar, falar, explicar, estudar, ensinar, comentar, interpretar, analisar, sintetizar, elucidar, criticar, apreciar, elogiar, estimar, avaliar, admirar, considerar, prezar, respeitar, honrar, louvar, exaltar. Só posso louvar todos aqueles que para além de ler se dão ao trabalho de escrever para proporcionar aos outros momentos de elevado prazer e partilhar a sua sabedoria.

Leio porque ler é para mim a tarefa mais agradável que realizo diariamente. Devo confessar que por muito cansada que me sinta ao fim do dia dedico sempre algum tempo à leitura. Em cada livro vivo as personagens, conheço novas paragens, sítios que certamente nunca irei visitar e cuja beleza é transmitida pelo autor. Recebo, através de quem escreve, as emoções, percebo os sentimentos, identifico as percepções, apreendo as reflexões, imagino as vivências que nos diferentes cenários se desenrolam pelos personagens. Muitas são as vezes que procuro dar um final ao livro e confesso que poucas são as vezes que coincide com o final registado pelo autor, mas também isso me agrada. Constitui um exercício e obriga-me a reconstituir o guião, diálogos, cenários, personagens. Enfim, é mesmo uma maravilha.

Neste momento estou a ler “Procuro-te”, de Lesley Pearse, Edições Asa. É um livro muito rico na descrição de sentimentos e emoções. Descreve a vida de uma jovem, filha de uma adolescente solteira que por várias circunstâncias adversas se vê obrigada a abdicar da sua filha e a dá-la para ser adoptada por uma família sem filhos. A morte da mãe adoptiva desencadeia um conjunto de acontecimentos que a levam a protagonista a procurar a mãe biológica e a desvendar o seu passado. Os obstáculos, e a determinação desta personagem são motivo de admiração e grande emoção. Não sei como termina, pois sou incapaz de antecipar a leitura do final, mas estou a gostar imenso!

Escolhi este livro porque tem como base a construção de uma personalidade determinada a vencer a vida, alguém que sofre mas que se sobrepõe traçando um percurso de vida e que apesar dos obstáculos, contrariedades, impedimentos, adversidades e contratempos consegue alcançar o seu objectivo. Os livros ajudam-nos a conhecer e compreender melhor a natureza humana e a realidade.

Estou a gostar imenso porque o amor das várias personagens (Mãe, Pai, irmãos adoptivos) se sobrepõe a tudo, é uma lição de vida que nos ensina que não devemos desistir e que vale a pena o empenho por alcançar o que realmente desejamos.

O livro que mais me marcou foi, “Canja de Galinha para a Alma dos Jovens”, de Jack Confield, Mark Victor Hansen, Kimberly Kirberger, da Nova Era, Lyon Edições.
Porque contém pequenas histórias de vida escritas por jovens. Momentos que os marcaram no seu percurso de vida. São escritas de uma forma muito simples, real e com muita sensibilidade. Conseguem transmitir sentimentos e emoções profundas repletos de sentido. São autênticas lições de vida e coragem, que nos fazem pensar e reflectir.

Aconselho-vos vivamente a lerem:
“O Sétimo Selo”, de José Rodrigues dos Santos, da Gradiva. Aborda de uma forma simples e de agradável leitura os problemas da actualidade numa perspectiva de sobrevivência do planeta assentes numa escolha para o futuro que garanta a sustentabilidade da economia e o abastecimento energético. São apresentados os vários problemas que a acção do homem provocou na alteração das leis naturais que regem a vida. É uma obra que nos presenteia com muitos conhecimentos de Química Física, Biologia ligados às situações reais e que facilmente se compreende a sua aplicação.
“O Sentimento de Si”, de António Damásio, Fórum da Ciência, Publicações Europa - América, Apresenta de forma brilhante e numa linguagem clara e harmoniosa onde o Corpo, a Emoção e a Neurobiologia se conjugam numa investigação científica de como chegamos ao conhecimento e porque temos consciência. É um livro impressionante que vale mesmo a pena ler!

Gostei de poder partilhar convosco as minhas leituras.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

LER PARA CRER...




Eu…

Helena Ferreirinha e sou assistente operacional aqui na vossa escola.


Tenho o hábito de ler…
Muito. Leio essencialmente de romances e livros político-sociais.


Leio porque…
Nem sei explicar. Gosto! Os meus pais sempre que falavam em livros, com tanta ternura!... A minha professora da escola primária dizia sempre: “lê tudo e lê sempre! Nem que sejam papéis do chão”.
Eu embarco nas histórias como se fosse a personagem principal. Rio, emociono-me, mas, no final, fico bem, sempre feliz!


Neste momento estou a ler
“A Criança-do-Inverno’’. Emprestaram-me este livro, porque a minha amiga leu, gostou e aconselhou-me também a ler. De facto, estou a adorar. Conta a história verídica de uma criança, filho de uns camponeses chineses, que, aos cinco anos, ouve pela primeira vez a palavra “Revolução”. Para ele, a revolução começou no dia em que viu o seu pai partir, com as tropas vermelhas, juntamente com outros camponeses. A mãe, por sua vez, é presa pelas tropas brancas, e queimada viva. O menino foge e é protegido pela solidariedade e pelo amor dos outros camponeses pobres. Ajudaram-no a partir, porque as tropas brancas também o queriam matar.


O livro que mais me marcou foi...
“A ilha” da autora Vitoria Hislop.
É também uma história baseada em casos reais sobre uma ilha na Grécia onde eram isolados todos os leprosos. É intensa, real e de uma sensibilidade incrível.


Adorei também
“Flor de Burel” do nosso professor Luís Costa, pois retrata as minhas origens transmontanas. Uma família que convivia tão bem com todas as dificuldades, com todo o respeito, unindo os esforços para dar todo o apoio à mãe. Por outro lado, também existia o amor de Amélia por Simão com o qual o pai de Amélia não concordava. Amélia humildemente acatou a decisão de seu pai. À sua morte deixou tudo para traz e decidiu finalmente viver o seu amor com aquele viúvo que ela ama bem como os filhos dele como se fossem seus…


Desde que me lembro sempre li.
Li todos os livros da colecção “Uma Aventura…”, que chegou quando eu tinha a vossa idade. Na altura, li-os todos.
Adorava também “Os Sete”, “Os Cinco” e também bandas desenhadas. Já li imensos livros, como “Rosa do Adro”, “Amor de Perdição”, “Os Maias”, “Uma Família Inglesa”, “Pedra no Sapato”, “O Guarda da Praia”, “Eugénia Grandet”, “Menfreia” , “Baunilha e Chocolate”, “6 de Abril”, “Sorriso da Estrela”, “As Palavras que Nunca te Direi”, “Acidente”, “Destino”, “O Vencedor está Só”, “Enquanto Salazar dormia”, “Memorial do Convento” e tantos outros… não me lembro de todos.


Aconselho-vos a ler…
Pois ao ler desenvolvemos a mente, a nossa forma de escrevermos, de nos expressarmos e aprendemos sempre, mesmo que sejam histórias fictícias.
Quem lê muito da menos erros e desenvolve a capacidade de compreensão.


A finalizar, deixo-vos um poema de que desconheço o autor mas que me acompanha desde a minha escola:
Ris por tudo
Choras por nada
Amas o impossível
Odeias o que te quer
E’s a mudança da vida
Que deixa de ser criança
E passa a ser mulher.


Um beijinho.


Helena Ferreirinha

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