quinta-feira, 29 de abril de 2010

Clube Contadores de Histórias


Colares de pérolas


Joanina e Lionídia eram duas jovens que se preparavam para o primeiro baile.
Vestiam vestidos de seda branca com muita goma e roda, todos enfeitados de lacinhos azuis e cor-de-rosa.
Não haverá hoje raparigas que consintam em usar vestidos destes, mas isto passou-se há muito tempo.
Diante do toucador, ajeitaram ao espelho os caracóis e canudos de cabelo, que as faziam parecer bonecas de porcelana. Sentiam-se lindas. E, efectivamente, sinceramente, estavam.
Chegou a altura dos últimos adornos. Brincos, anéis, pulseiras e um diadema no toucado. Até o espelho pestanejou com tanto brilho.
— Falta o colar — lembrou a Lionídia, enquanto procurava, na sua caixinha de guarda-jóias, o ornamento essencial à perfeição do quadro.
Já Joanina tinha tirado do respectivo guarda-jóias e posto com todo o cuidado ao espelho o seu colar de pérolas, sorrindo, feliz, porque era a primeira vez que o punha. Sentia--se uma senhora, uma dama, um modelo para um retrato a óleo.
Lionídia tinha um colar igual. Ou quase.
— O teu colar é de pérolas falsas — disse Lionídia, olhando de esguelha para o colar de Joanina.
— Como é que tu sabes? — indignou-se ela. — Este colar está na nossa família há várias gerações e sempre foi tomado como verdadeiro.
— É falso. Digo e torno a dizer, porque as tuas pérolas não têm a perfeição nem a transparência leitosa, nacarada, aveludada das minhas.
Isto dito por Lionídia era uma afronta para Joanina.
— E se for ao contrário? — ripostou ela. — Está-me a parecer que as tuas pérolas é que são uma perfeita imitação das minhas.
Enervaram-se. Zangaram-se. Descompuseram-se.
Brigaram. Não fosse estarem tão alinhadas para a festa e, quase de certeza, ainda acabariam por se agarrar aos caracóis uma da outra e espatifar os vestidos brancos, engomados e rodados, com lacinhos azuis e cor-de-rosa…
Uma réstia de boa educação e de bom senso conteve-as.
Para decidirem de uma vez para sempre qual tinha razão lembrou-se uma delas.
— Só há uma prova a fazer. O vinagre!
Quem não souber que aprenda que o vinagre desfaz as pérolas naturais, as legítimas, as fabricadas com sossego e demora, dentro da concha paciente das ostras.
Muito exaltadas e avinagradas, foram buscar à cozinha uma tigela de vinagre.
— Queres ver que o teu colar pelintra não se desfaz — disse a Joanina à Lionídia.
— A porcaria do teu colar é que não vai desfazer-se — disse Lionídia à Joanina.
O resto está-se mesmo a ver. Dissolveram-se no banho de vinagre as pérolas de ambos os colares. Só sobraram para amostra fios e fechos, tão valiosos como duas espinhas de peixe.
E as duas jovens, depois de chorarem muitas lágrimas, abraçadas uma à outra, lá tiveram de ir para o baile sem os seus preciosos colares.
Pobres das ostras que tanto trabalharam a acrescentar, a arredondar e a aprimorar as suas maravilhosas pérolas, para que assim se perdesse o labor de tantos anos num bochecho de vinagre. Dá que pensar.



Adaptação
António Torrado
www.historiadodia.pt

quarta-feira, 28 de abril de 2010

LER PARA CRER


Eu, Alcina Ferreira, Assistente Técnica na escola EB2/3 de Real...

Tenho o hábito de ler desde os 14 anos de idade. Estava no 9ºano de escolaridade quando um dia acompanhei uma colega de turma à Biblioteca Municipal, local onde ela costumava requisitar livros, segui-lhe o exemplo e desde esse dia tornei-me frequentadora assídua da Biblioteca. Lia com avidez tudo que me era permitido naquela idade.
Não me lembro com exactidão qual o 1º livro que li de livre vontade, mas indubitavelmente aquela 1ª visita foi o princípio nunca acabado do gosto pela leitura. Desse tempo, entre os muitos que li, ficaram-me na memória “Morgadinha dos Canaviais” e “Os Fidalgos da casa Mourisca” de Júlio Dinis. Era adolescente num processo de crescimento e de descoberta constante e por consequência uma sonhadora.

Leio porque a leitura me dá prazer, enriquece os meus conhecimentos, ajuda a expressar-me e ter um discurso mais articulado. Por outro lado permite-me “viajar”, conhecer lugares que certamente nunca visitarei e sobretudo faz-me sonhar.
Acabei há dias de ler “Orgulho e Preconceito”.Neste momento estou a ler “Eu Hei-de Amar uma Pedra” de António Lobo Antunes, estou no início por isso, não posso dar um parecer sobre o livro. Há quem diga que os seus livros são ininteligíveis, que se anda de um lado para o outro para os perceber, mas na minha opinião é isto que os torna fascinantes, é preciso parar de ler para pensar no que se leu e retomar a leitura.

O livro que mais me marcou foi definitivamente “Germinal” de Émile Zola, uma obra de 1885 que descreve as condições desumanas de uma comunidade de trabalhadores de uma mina na França. Na sua revolta contra a opressão, os mineiros organizaram uma greve geral, exigindo condições de vida e trabalho mais favoráveis o que os levou a uma vida ainda mais miserável. O livro é de tal forma intenso que várias vezes no decorrer da sua leitura me apeteceu parar, dado o realismo e a crueza dos factos retratados.

Aconselho vivamente“Paula” e “A Soma dos Dias” de Isabel Allende. “Paula” é uma história absorvente, intensa e real, um livro que comoveu leitores à volta do mundo. “A Soma dos Dias” está de algum modo ligado ao primeiro.

BOLETIM INFORMATIVO

Consulta aqui o Boletim Informativo de Maio.

BI_Abril

segunda-feira, 12 de abril de 2010

SEMANA DA LEITURA

Vai decorrer, entre os dias 19 e 23 de Abril, a SEMANA DA LEITURA que visa acima de tudo promover o livro e a leitura junto dos alunos.

Consulta o calendário que te disponibilizamos.

De entre as diversas actividades a realizar, destacamos as seguintes:
- Apresentação do livro "Livro d'Água" do escritor Flávio Monte
- Encontro com a poetisa Carla Ribeiro
- Representação da história "O Pequeno Trevo" pelos alunios da Unidade Multideficiência
- Sessões de leitura pelos Encarregados de Educação
- Viver a poesia, pelo grupo de teatro da Escola Francisco Sanches, sob a orientação de Manuela Duarte
-Hora do conto, com José Machado
- Chá de letras, com a colaboração do CEF2

Participa nesta semana feita à tua medida!

segunda-feira, 22 de março de 2010

LER PARA CRER



Eu, Adriana Silva, aluna do 8º E, tive acesso a variados tipos de livros desde pequena, mas só me comecei realmente a interessar pelo seu conteúdo quando a minha professora da escola primária propôs à minha turma a leitura de um livro, à nossa escolha, da biblioteca existente no local. Assim, comecei a desenvolver o meu gosto pela leitura. Inicialmente, era mais atraída pelas ilustrações dos livros e não tanto pelo seu conteúdo, porém, gradualmente, passei a ser mais influenciada pela beleza das palavras e das histórias. Isto não quer dizer que me desagradem as histórias simples, mas que acho os contos complexos mais intrigantes e desafiadores à minha capacidade de compreensão e dedução.
Tenho o hábito de ler livros de ficção científica, banda desenhada, policiais, romances, fábulas, poemas… Gosto de variar no tipo de livros que leio, para não tornar a leitura demasiado contínua sobre um certo tema, devido, principalmente, ao facto de haver livros parecidos, o que, mais tarde ou mais cedo, começa a tornar a leitura um pouco entediante. Adoro ler livros com temas pouco explorados ou abordados, o que torna a leitura mais interessante e agradável. Um dos mais importantes pontos de uma narrativa é o estilo de escrita do autor: quanto mais atractivo for, mais agradável torna o enredo, transformando até uma má história num bom livro.

Leio porque não há melhor maneira de passar o tempo livre! Um livro excelente pode tornar a mais aborrecida e degradante das viagens numa aventura incrível e excitante com a nossa personagem favorita! A verdade é que, quando leio, sou completamente absorvida do mundo “real”, deixando a minha mente vaguear nas palavras que descrevem os locais, sentimentos, personagens… Não gosto de deixar as histórias inacabadas e, quando acabo os meus momentos de leitura, passo o resto do dia a pensar no que li e a ansiar por saber o resto dos acontecimentos. Cada livro é uma fonte de acontecimentos, conhecimentos e lições, que têm um significado diferente para cada pessoa, consoante o seu estado de espírito, idade, etc. Mas, mesmo assim, cada um tem ensinamentos para dar em cada caso. Embora as palavras sejam as mesmas, os seus significados podem ser muito diferentes.

Neste momento, estou a ler A Bússola Dourada de Philip Phulman, o primeiro livro da trilogia Mundos Paralelos. Fala de uma rapariga chamada Lyra e do seu génio, a sua alma, pois neste mundo a alma vive fora de cada um, na forma de animal e as almas das crianças não têm forma definida. O livro baseia-se na vida desta menina que, durante uma reunião dos académicos do colégio onde vive, descobre a existência de Pó, substância que vai estar no centro do livro, pois é ela que faz a bússola de Lyra funcionar. A bússola permite a Lyra, (que tem uma capacidade inata para lê-la) saber a verdade sobre tudo. Basta que ela lhe pergunte o que quiser. Este instrumento vai também ser a fonte de conflitos, devido às informações que pode fornecer, além de ser objectivo principal de algumas personagens obtê-la. Espero que Lyra e Pan (Pantalaimon, o seu génio) saibam como protegê-la…

Escolhi este livro porque o seu escritor tem um estilo semelhante ao dos meus livros favoritos, C. S. Lewis e J. R. R. Tolkien, e também porque já vi o filme, que considero excelente. O resumo do livro agradou-me especialmente, pois denota uma história bem concebida.

Estou a gostar porque a personagem principal demonstra uma inteligência, uma astúcia, um atrevimento e uma coragem fora do normal.

O livro que mais me marcou foi o Diário de Helen Keller, que conta a vida de uma menina que nasceu sem ouvir e sem ver e cujo mundo começa a ser iluminado por uma professora que lhe ensina o abecedário através de uma certa combinação de movimentos dos dedos das mãos. Assim, a menina aprende a falar. As suas capacidades de olfacto e tacto mais apuradas chegam até a salvar a sua família de um incêndio doméstico. Este livro marcou-me, porque me mostrou que, com esforço e dedicação, se pode obter tudo, mesmo nas piores condições.
ACONSELHO-VOS VIVAMENTE A LER:
A Minha Família e Outros Animais, de Gerald Durrell, da editorial Presença. Gerald e a sua família mudam-se para Corfu, uma ilha da Grécia, depois de um Verão chuvoso em Inglaterra. Durante cinco anos, Gerald, que tem uma paixão irracional pela natureza, relata as suas intermináveis aventuras naquela bela ilha;
David Copperfield, de Charles Dickens. O livro conta a história de David, uma criança sem pai, que vai passar algum tempo na casa do irmão da empregada da mãe e que, quando volta, descobre que tem um padrasto. Este acaba por enviá-lo para um colégio interno onde, mais tarde, fica a saber da morte da mãe e do seu irmão recém-nascido. A partir desse momento, a vida de David começa a ficar cada vez pior, até que o seu padrasto decide pô-lo a trabalhar. A história mostra a força de vontade deste rapaz que decide não se render às misérias que rodeiam a sua existência.
Espero que apreciem as minhas escolhas e as minhas opiniões sobre este tema tão vasto.
Adriana Silva

Boletim Informativo

Consulta o Boletim Informativo de Março.


BI Março

21 de Março - DIA DA ÁRVORE


A origem da “Festa da Árvore”, que se realizou pela primeira vez no Seixal em 1907 por iniciativa da Liga Nacional de Instrução, encontra-se intimamente associada aos ideais e valores do republicanismo, destacando-se de modo muito particular nos primeiros anos da I República. Entre 1912 e 1915, as festas da Árvore seriam fortemente impulsionadas pelo jornal Século Agrícola, com especial relevo para a que se realizou na Amadora, em 1913.
A par da sensibilização para a protecção das florestas nacionais, este modo de celebrar a árvore veio cumprir também um ideal educativo, pedagógico e cívico mais amplo, ao dirigir-se em especial às crianças e jovens em idade escolar que, no seu conjunto e ao plantar simbolicamente uma árvore, descobriam o seu património florestal e ocupavam o seu espaço próprio de participação e cidadania. Ao acto de plantação associavam-se também palestras e textos educativos sobre a árvore e a importância da floresta, sem esquecer os poemas compostos pelos alunos e recitados durante a festa ou ainda os hinos cantados em uníssono como homenagem à árvore. A profunda actualidade desta iniciativa, aliada à importância dos valores que hoje se celebram e reafirmam com as comemorações do centenário da República, vem justificar a realização da “Festa da Árvore”, que contará com a plantação simbólica da Árvore do Centenário.
In www.portaldasescolas.pt