segunda-feira, 22 de março de 2010

21 de Março - DIA DA ÁRVORE


A origem da “Festa da Árvore”, que se realizou pela primeira vez no Seixal em 1907 por iniciativa da Liga Nacional de Instrução, encontra-se intimamente associada aos ideais e valores do republicanismo, destacando-se de modo muito particular nos primeiros anos da I República. Entre 1912 e 1915, as festas da Árvore seriam fortemente impulsionadas pelo jornal Século Agrícola, com especial relevo para a que se realizou na Amadora, em 1913.
A par da sensibilização para a protecção das florestas nacionais, este modo de celebrar a árvore veio cumprir também um ideal educativo, pedagógico e cívico mais amplo, ao dirigir-se em especial às crianças e jovens em idade escolar que, no seu conjunto e ao plantar simbolicamente uma árvore, descobriam o seu património florestal e ocupavam o seu espaço próprio de participação e cidadania. Ao acto de plantação associavam-se também palestras e textos educativos sobre a árvore e a importância da floresta, sem esquecer os poemas compostos pelos alunos e recitados durante a festa ou ainda os hinos cantados em uníssono como homenagem à árvore. A profunda actualidade desta iniciativa, aliada à importância dos valores que hoje se celebram e reafirmam com as comemorações do centenário da República, vem justificar a realização da “Festa da Árvore”, que contará com a plantação simbólica da Árvore do Centenário.
In www.portaldasescolas.pt

quarta-feira, 17 de março de 2010

A biblioteca da escola vai realizar um Concurso de Escrita, UMA AVENTURA REAL.

Todos os alunos do agrupamento podem participar, por isso esperamos pelo teu texto.
Antes de começares, lê o regulamento abaixo.
Se necessitares de mais informações, dirige-te à biblioteca ou informa-te do teu professor de Português.

PARTICIPA!!!

REGULAMENTO
Objectivo
Motivar os alunos para escrita.

Como participar
Redige um texto, em prosa (sob a forma de conto, texto jornalístico, etc.) ou em poesia, que aborde explícita ou implicitamente o tema UMA ESCOLA DE VALORES.

Concorrentes
Podem participar todos os alunos do Agrupamento de Escolas de Real.
Os trabalhos deverão ser individuais.
Cada candidato só pode apresentar-se a concurso com um trabalho.

Trabalhos
O texto apresentado a concurso deverá ser processado a computador e não poderá ter mais de 10 páginas A4, com espaçamento duplo, tipo de letra Times New Roman, tamanho 12.
O trabalho deve ser assinado e conter os dados completos do candidato.

Envio dos trabalhos
Os trabalhos deverão ser entregues na Biblioteca ou ao professor da disciplina de Língua Portuguesa.

Calendário
Os trabalhos deverão ser entregues até ao dia 28 de Maio de 2010.

Divulgação
O resultado do concurso será anunciado no portal da Escola e no blog da Biblioteca.

Prémios
Serão premiados os três melhores trabalhos de cada um dos escalões:
1º escalão: 1º ciclo
2º escalão: 2º ciclo
3º escalão: 3º ciclo.

Entrega dos prémios
A entrega dos prémios realizar-se-á em data a designar.

terça-feira, 16 de março de 2010

O Pequeno Trevo

Os alunos da Unidade Multideficiência brindaram a turma C do 5º ano com uma representação lidíssima e repleta de alegria da história "O Pequeno Trevo".

Sobre O PEQUENO TREVO

É uma história sobre um pequeno trevo que nasceu diferente porque em vez de três folhas, tinha quatro e vivia muito triste. Sendo diferente, todas as pessoas e animais o olhavam com desprezo e ninguém queria ser seu amigo.
Um dia, surge um menino e tudo muda...
Queres conhecer o resto da história?
Dirige-te à biblioteca.

É uma história muito bonita que permitiu mostrar aos alunos que não somos todos iguais e que não devemos desprezar ninguém só porque é diferente.

Todos DIFERENTES, todos IGUAIS.




Clube Contadores de Histórias


Um Narciso Amarelo


Morris Kaplan vive num pequeno apartamento por cima de um restaurante muito frequentado. Todas as noites, os sons abafados de mesas a serem postas, de música a tocar, de pessoas a falar e a rir fazem-lhe companhia enquanto prepara e come o seu jantar e enquanto lê o jornal da tarde. Morris adormece com frequência na sua poltrona, junto à janela, com o jornal estendido sobre os joelhos, como se fosse um cobertor. Dorme lá toda a noite, ainda de roupão e chinelos.
De manhã, acorda cedo, mesmo antes de entregarem o leite e os legumes no restaurante. Veste-se com cuidado e come um pequeno-almoço de torradas, geleia e chá, que toma num copo. Depois sai, liga a carrinha e começa a longa viagem até ao mercado das flores.
Hoje, Morris caminha devagar por entre os enormes recipientes cheios de íris, margaridas, cravos, rosas e lírios. Inspira o ar cheio de fragrâncias. Escolhe um cravo vermelho numa das tendas. Passa a mão devagar pelas pétalas, examina o caule e afasta-se. Morris tem por hábito escolher apenas as flores mais frescas e bonitas para a sua loja.
Olha em volta. Os baldes, as tendas e as paredes são cinzentos e apagados. A maioria das pessoas está vestida com fatos escuros ou tem aventais. Só as flores emprestam algum colorido ao mercado. Morris pensa num tempo distante, quando tudo à sua volta era escuro e triste. Numa manhã de Primavera, viu uma flor de um amarelo vivo a crescer num lugar estranho. A flor deu--lhe esperança e coragem. Morris acredita que essa flor lhe salvou a vida.
Enxuga uma lágrima e dirige-se a outra tenda, que tem baldes de rosas. Escolhe uma rosa e cheira-a. Depois sacode-a com gentileza.
Uma hora depois, a carrinha está cheia de flores. Morris regressa à loja e leva-as para dentro.
Ainda é muito cedo. São poucas as pessoas a passar diante da loja. Morris rasga um pedaço de um rolo de papel de embrulho e forra a sua mesa com ele. Coloca uns raminhos de gipsófila sobre o papel, seguidos de cravos brancos e vermelhos. Embrulha as flores e coloca o arranjo num recipiente. Rasga então um novo pedaço de papel.
Quando o recipiente está cheio, Morris coloca no frigorífico com porta de vidro os arranjos que acaba de fazer, juntamente com o resto das flores que comprou no mercado.
Lá fora, há mais pessoas a passarem diante da loja. As crianças vão a caminho da escola e Morris põe-se à porta a vê-las.
─ Sr. Kaplan! ─ chamam um rapaz e uma rapariga. ─ Bom dia! Bom dia, Sr. Kaplan!
Morris acena às crianças, que vêm ter com ele.
─ Hoje estamos atrasados. Não podemos parar para conversar. Voltamos mais tarde, no caminho de regresso a casa.
Morris sorri.
─ Bem sei. Hoje é sexta. Até logo.
Morris vê-as afastarem-se. Quando deixa de vê-las, entra na loja.
Logo entra uma cliente.
─ Queria um ramo bonito para o meu marido. Faz anos hoje.
Morris abre a porta do frigorífico e mostra-lhe os arranjos que fez. Também lhe mostra os baldes de rosas, cravos e crisântemos.
─ Levo doze cravos ─ diz a mulher. ─ Será que pode juntar brancos e vermelhos?
Enquanto Morris arranja as flores, a cliente olha em redor para os muitos vasos e plantas da loja. O florista mistura os cravos: seis vermelhos, seis brancos, e seis cor-de-rosa. Rasga uma folha de papel de embrulho e adiciona alguma gipsófila.
A mulher exclama:
─ Que bonito! Mas eu só queria uma dúzia de flores!
─ As flores brancas e vermelhas são um presente seu. As cor-de-rosa são o meu presente para o seu marido.
Ao início da tarde, as crianças começam a voltar da escola. A rapariga e o rapaz que cumprimentaram Morris de manhã entram na loja.
─ Olá, Sr. Kaplan ─ saúda a menina.
─ Olá, Ilana. Olá, Jonathan.
Ilana conta:
─ Hoje tivemos teste a Matemática. Era sobre fracções. Foi difícil. E também tivemos um ditado. Mas isso foi fácil.
Tira uma bolsinha da mochila.
─ Precisamos de algumas flores. Só nos sobraram dois dólares das mesadas. Podia vender--nos algumas flores velhas? São só para hoje e amanhã.
Morris diz, a sorrir:
─ Eu sei. Têm de estar bonitas para o Sabbath.
─ Shabbat ─ corrige Ilana.
─ Shabbat ─ repete Morris.
Abre o frigorífico e tira um dos arranjos que fez de manhã. Coloca-o sobre a mesa e rasga o papel de embrulho. Volta ao frigorífico para ir buscar alguns cravos vermelhos, cor-de-rosa e brancos, aos quais adiciona alguns crisântemos. Embrulha o arranjo em papel novo. Depois entrega-o a Ilana.
─ São muitas flores por dois dólares ─ comenta esta, enquanto dá o dinheiro a Morris.
Morris sorri:
─ Quando se compram flores velhas, leva-se maior quantidade.
É Dezembro e a noite cai cedo. Morris fica na loja até estar bem escuro. Antes de sair, verifica as flores que sobraram. Ainda há muitas para o dia seguinte. Ainda bem. Ao sábado faz-se muito negócio.
Guia de volta a casa. Vive perto da loja e podia ir a pé, mas gosta de ter a carrinha com ele, para o caso de necessitar dela. Nos seus quase quarenta anos de vida naquele apartamento e naquela loja, nunca teve de ir a correr a lado algum. No entanto, gosta de ter a carrinha por perto.
A neve cai durante toda a noite de domingo. Segunda de manhã, a caminho da loja, Morris ouve as notícias sobre o estado do tempo, sobre as condições de circulação nas estradas e sobre o encerramento de algumas escolas. A escola de Ilana e de Jonathan está aberta. Morris fica contente. Tem saudades deles.
Uma vez na loja, faz mais arranjos de flores e depois vai até à porta, a tempo de ver as crianças irem para a escola.
No dia seguinte, de tarde, Jonathan e Ilana vêm à loja.
─ Gostávamos de comprar algumas flores ─ diz Ilana.
─ Mas hoje não é terça? ─ estranha Morris.
─ É.
─ Mas vocês compram sempre flores para o Sabbath. O Sabbath só começa sexta à noite.
─ Bem sei ─ sorri Ilana ─ mas hoje é a primeira noite do Hanukkah.
Morris abre a porta do frigorífico:
─ Escolham o que quiserem.
─ Só temos cinco dólares ─ avisa Ilana.
─ Escolham o que quiserem. Quando tiverem escolhido cinco dólares de flores, mando--vos parar.
Os irmãos escolheram flores suficientes para um grande ramo. Morris embrulhou-as e deu-as a Ilana.
─ Não celebra o Hanukkah? ─ perguntou Jonathan.
─ Não.
─ Celebra o Natal?
─ Não ─ respondeu Morris, suavemente. ─ Não celebro nenhum deles. Quando era rapazinho e vivia na Polónia, celebrava o Hanukkah. Mas isso foi há muitos anos.
Depois das crianças saírem da loja, Morris senta-se à mesa e pensa nos seus Hanukkah na Polónia. Foi há muito tempo que andou na escola, que estudou o Talmud e os outros livros sagrados. Lembra-se de ajudar o pai na alfaiataria, de acender velas no Hanukkah, e de receber algumas moedas como prenda. Pensa nos seus pais, no seu irmão, nas suas duas irmãs ─ e no que lhes aconteceu.
Na tarde seguinte, os irmãos vêm de novo à loja.
─ Não pode ser! ─ exclama Morris. ─ Compraram tantas flores ontem que não podem precisar de mais já hoje. Não murcharam, pois não?
Ilana respondeu:
─ De modo algum. As flores estão óptimas. São muito bonitas. Mas a Mamã disse que tínhamos de o convidar para nossa casa hoje à noite. Janta connosco e acendemos juntos as velas do Hanukkah.
─ Não posso. Tenho de ficar na loja.
─ A Mamã disse que podia vir depois de fechar.
Morris abana a cabeça.
─ Mas a essa hora já será tarde demais. Só fecho às oito.
─ Não faz mal. Nós esperamos sempre pelo Papá, que só chega depois das oito.
Antes de Morris retorquir de novo, Ilana escreve a morada num papel e diz-lhe:
─ Esperaremos por si, também.
Depois das crianças saírem, Morris olha em volta. Quer levar-lhes um presente, mas a família já tem flores. Pega numa taça de cerâmica da prateleira e coloca-a na mesa. É uma taça muito bonita. Olha para ela longamente. Depois abana a cabeça.
─ Somos parecidos. Estamos vazios. Tenho de arranjar uma bela planta para te encher.
Põe um vaso de hera dentro da taça. Amarra uma fita azul à planta. Começa a escrever um cartão Caros Sr. e Sra.… Mas dá-se conta de que não sabe o nome de família das crianças. Pega num outro cartão e escreve Obrigado por me terem convidado para jantar. Morris Kaplan.
Nessa noite, fecha a loja mais cedo. Vai para casa, barbeia-se e muda de camisa. Pega na taça com a hera e conduz até à morada indicada no pedaço de papel. Ilana e Jonathan moram no apartamento 2C. O nome escrito na porta é Becker. Morris bate à porta.
─ Entre, entre ─ convida a Sra. Becker. ─ É o Sr. Kaplan, não é?
Morris entrega-lhe a taça com a hera e depois olha em redor. Há flores por todo o lado.
─ Deu tantas às crianças que não podíamos pô-las todas numa jarra.
Ilana e Jonathan estão junto da janela. Jonathan segura uma caixa de fósforos multicores e entrega-os, um a um, a Ilana.
─ Hoje quero que os meus sejam azuis ─ e dá três velas azuis a Ilana. Esta põe-nas no candelabro (menorah) de Jonathan: duas à direita e uma no centro, um pouco mais elevado do que os braços laterais.
─ Que cor quer? ─ pergunta Jonathan a Morris.
─ Vou só ficar a olhar ─ responde o velho florista.
─ Temos um candelabro só para si ─ informa Jonathan.
─ Obrigado, mas fico só a ver ─ declinou Morris.
Quando Ilana e Jonathan estão a acabar de preparar os candelabros, o pai chega. Cumprimenta Morris e depois todos se acercam da janela. O Sr. Becker reza as orações e acende as suas velas. Depois é a vez da Sra. Becker, de Ilana e de Jonathan. Cantam juntos Ha-Nerut Hallalu (Estas Velas) e Ma’oz Zur (Rochedo dos Tempos).
Enquanto as velas ardem, jogam um jogo de dados. Cada um põe uma passa coberta de chocolate no meio da mesa e deita os dados à vez, para ver a quem toca o doce. Quando Jonathan não está a lançar, está a comer.
─ Vamos jantar ─ sugere a Sra. Becker ─ antes que Jonathan coma todas as passas do jogo.
Ao jantar, Morris não pára de falar de flores. A sua favorita é o jacinto.
─ Encho uma taça com seixos e coloco um bolbo de jacinto em cima. Mantenho os seixos húmidos. Quando o jacinto floresce, delicio-me com a sua cor, beleza e cheiro.
─ Teve sempre um interesse assim tão grande por flores? ─ pergunta a Sra. Becker.
Morris olha para o prato e responde:
─ Não. Quando era novo, não havia flores à nossa mesa. Os meus pais estavam demasiado ocupados a pensar na vida. Éramos muito pobres.
Ergue a cabeça e continua:
─ Queria ser alfaiate, como o meu pai. Ele tinha umas mãos mágicas. Conseguia pegar num pedaço insípido de tecido e fazer dele um fato digno de um casamento. Mas veio a guerra e não pude pensar mais em tecidos ou fatos.
─ Serviu no exército?
─ Não.
─ Não viu soldados a lutarem?
─ Não.
─ Jonathan, não faças tantas perguntas ─ pediu a mãe.
Enquanto as crianças falam sobre a escola, Morris pensa nos Hanukkah que celebrou há muitos anos atrás.
Depois da sobremesa, Morris agradece a hospitalidade e sai. Uma vez em casa, vai ao armário e tira de lá uma caixa velha. Dentro desta estão um copo de metal, uma camisa rasgada, um chapéu de criança e um velho candelabro. Morris segura-o nas mãos e chora.
No dia seguinte, leva o candelabro com ele para a loja. Limpa-o e põe-no à janela. Olha-o com frequência durante o dia.

Nessa mesma noite, depois de fechar a loja, coloca o candelabro no assento dianteiro da carrinha. Enquanto guia, lembra-se da última vez que o usou. A irmã ajudara-o. Foi antes de os nazis terem vindo à sua aldeia e de o terem levado, juntamente com a família, para um gueto. Mais tarde foram deportados para Auschwitz.
Morris lembra-se dos horrores daquele lugar. Lembra-se de que foi separado da família.
Uma manhã, quando já tinha perdido toda e qualquer esperança de sobreviver, viu uma pequena flor amarela, um narciso, que tinha desabrochado mesmo à porta do seu barracão. A chuva, que Morris amaldiçoara por causa da lama que trazia, tinha alimentado a flor, que agora procurava o sol. Se o narciso consegue sobreviver aqui, talvez eu também consiga, pensou Morris. Morris sabe que foi a sorte, mais do que qualquer outra coisa, que o salvou. Mas sente que aquela flor o salvou também.
Pára num semáforo vermelho e dá-se conta de que não vai na direcção de sua casa. Está à porta da casa dos Becker. Estaciona a carrinha, pega no candelabro e entra. Fica um pouco à porta do apartamento 2C antes de tocar à campainha. Olha para o candelabro e bate à porta.
─ Sr. Kaplan! Entre! ─ convida a Sra. Becker.
─ Este é o candelabro que eu usava quando era novo ─ diz-lhe Morris.
Senta-se à mesa e fala-lhes da família que perdeu e do narciso amarelo.
─ Depois da guerra não tinha para onde ir, por isso fui para casa. Estava lá outra família a viver. Estavam a usar a nossa mobília, as nossas panelas e pratos, e vestiam as nossas roupas. Não ficaram felizes por me ver, mas deram-me uma pequena caixa com as coisas que não queriam. O nosso candelabro estava nessa caixa.
Há lágrimas nos olhos de Morris.
─ Pensei que ia encontrar alguns velhos amigos na aldeia, mas não encontrei. Não tinha ninguém.
A Sra. Becker segura as mãos de Morris e diz-lhe:
─ Agora tem-nos a nós.
Morris põe o seu candelabro à janela. Jonathan dá a Ilana quatro velas. Esta põe-nas no candelabro. Os Becker ouvem com atenção enquanto Morris diz as orações, e observam-no a acender as velas para celebrar o Hanukkah.
David A. Adler
One Yellow Daffodil
Orlando, Voyager Books, 1999

terça-feira, 9 de março de 2010

Clube Contadores de Histórias



O pão dos outros



Remi está a conversar com a avó.


Gosta de a ouvir falar dos seus tempos de menina.


– Na minha aldeia, na Provença, pelo Ano Novo, no primeiro dia de Janeiro, toda a gente oferecia uma prenda a toda a gente. Vê lá se és capaz de adivinhar o que seria.


Remi lança palpites:


– Comprar prendas para a aldeia inteira… É preciso muito dinheiro. Quer dizer que as pessoas eram ricas?


A avó riu-se:


– Oh, não! Naquele tempo, tinha-se muito pouco dinheiro e ninguém na aldeia comprava prendas. Nem sequer havia lojas como há hoje.


– Então faziam as prendas?


– Não propriamente!


– Então como é que faziam?


– Era muito simples. Ora ouve…


Antigamente, cada família fazia o seu pão. Não havia água corrente nas casas. Então íamos buscá-la à fonte, no largo da aldeia.


E, no dia um de Janeiro, de manhã muito cedo, a primeira pessoa que saía de casa, colocava um pão fresco no bordo da fonte, enquanto enchia a bilha de água. Quem chegava a seguir pegava no pão e punha outro no mesmo lugar para a pessoa seguinte, e assim por diante…


Desta forma, em todas as casas, se comia um pão fresco oferecido por outra pessoa. Nem sempre se sabia por quem, mas garanto-te que o pão nos parecia muito bom porque era como se fosse um presente de amizade.


As pessoas que estavam zangadas pensavam que talvez estivessem a comer o pão do seu inimigo e isso era uma espécie de reconciliação…



Durante alguns dias, esta história andou a martelar na cabeça de Remi.


Uma manhã, teve uma ideia.


Meteu no bolso uma fatia de pão de lavrador. É o pão que se come na casa de Remi.


E na escola, um pouco antes do recreio, Remi pousou o pão bem à vista, em cima da carteira de Filipe, o seu vizinho.


Filipe está sempre com fome e repete sem cessar a Remi:


– Oh! Que fome, que fome eu tenho! Bem comia agora qualquer coisa!


Quando Filipe viu a fatia de pão, que rica surpresa! Sabia muito bem quem lha tinha dado, mas fingiu que não sabia.


No recreio, todo contente, comeu o pão sem dizer nada a Remi, mas…


No dia seguinte, sabem o que é que Remi encontrou em cima da carteira, mesmo antes do recreio? … Um pedaço de cacete!


Um grande pedaço bem estaladiço! Um verdadeiro regalo!


Filipe ria-se.


E assim continuaram a dar um ao outro presentes de pão.


Na aula, a Carlota e a Sílvia estão sentadas logo atrás de Filipe e de Remi. Rapidamente souberam da história do pão e quiseram também participar nas surpresas.


No dia seguinte, Sílvia levou uma fatia de cacetinho Carlota uma fatia de pão centeio.


Outras crianças quiseram participar nas prendas de pão.


Apareceu pão grosseiro, pão de noz, pão de sêmea, pão sem côdea, pão caseiro, pão fino, pão russo, negro e um pouco ácido, que Vladimir levou, pedaços de pão árabe, que a mãe de Ahmed cozera no forno, e ainda muitos outros tipos de pão.


Desta forma, quase toda a turma se pôs a trocar pedaços de pão durante o recreio.


A professora apercebeu-se das trocas e perguntou:


– Mas o que é que vocês estão aí a fazer?


Carlota e Remi contaram-lhe toda a história do pão dos outros.


E logo após o recreio, o que é que estava em cima da secretária da professora? …um pedaço de pão!


Toda a classe tinha os olhos postos na professora. Ela sorriu e comeu o pão.


E, no domingo seguinte, quando Remi viu a avó, era ele que tinha uma história para lhe contar:


– Sabes, avó? Olha, na minha turma…




Michèle Lochak


Le pain des autres


Paris, Flammarion, 1980

segunda-feira, 8 de março de 2010

8 de Março - DIA DA MULHER



Em nome da justiça, seriam precisas muitas páginas para mostrar o número de Grandes Mulheres que passaram pela Terra, ajudando a
Humanidade a caminhar para o Bem.

Fica aqui uma pequena mostra, dessas Mulheres: Anne Frank (1929-1945), uma lutadora; Maria Montessori (1870-1952), educadora, médica e feminista; Amélia Earhart (1897-1937), pioneira na aviação; Marie Curie (1867-1934), apaixonada pela física e química; Joana D’Arc (1412-1431), santa heroína francesa; Madre Teresa de Calcutá (1910-1997), solitário exemplo de compaixão. Muitos mais nomes havia a relembrar, mas não caberiam aqui como a sua beleza também não cabe aqui.

A este propóstito, partilhamos convosco uma frase de Arthur Schopenhauer: "A mulher é um efeito deslumbrante da natureza".