O alunos do terceio ano da turma E da Escola EB1 de Real deslocaram-se à biblioteca da EB2,3 para realizarem uma actividade de leitura.
A julgar pelas expressões dos rostos, adoraram e, ao que parece, querem repetir.
Até à próxima!!!
quarta-feira, 3 de março de 2010
O LEÃO E O RATO
Lê atentamente a história que te apresentamos.
Depois de leres a história, vai aqui e verifica se efectivamente estiveste com atenção.
O leao e rato2
Depois de leres a história, vai aqui e verifica se efectivamente estiveste com atenção.
O leao e rato2
terça-feira, 2 de março de 2010
Clube Contadores de Histórias

Ainda há pouco a enorme duna fulgia de vermelho, mas agora, com o sol cada vez mais a pique, adquirira um brilho amarelo dourado. Ali, o burro, mal repara que as dunas haviam mudado de cor. Só dá conta de que o sol está a incidir-lhe no dorso, cada vez mais quente, demasiado até! Por volta do meio-dia, tornar-se-ia insuportável.
Ali detesta a duna. Detesta o sol que nela incide e aumenta a luz e o calor. Só quando descansa à sombra da palmeira, durante a pausa do meio-dia, é que Ali gosta do sol. Deita-se numa ilha fresca que paira numa concha de luz amarela do oásis. Vê como no começo do ano a cevada se ergue amarela dourada entre as palmeiras e, no Verão, espreita as tâmaras na copa das palmeiras. No entanto, os intervalos de descanso numa ilha fresca acabam demasiado depressa.
Ali põe um casco à frente do outro. As suas pegadas são imediatamente preenchidas até meio pela areia que desliza. Às costas leva pendurados, à direita e à esquerda, dois cestos, dos quais vão escorrendo duas tiras amarelas douradas, areia que o vento arrastara até às plantas do oásis. Ali carrega essa areia de volta para o outro lado da crista da duna.
Atrás de Ali segue Sidi Mohammed. Sidi Mohammed não leva nenhum cesto mas sim um pau, em parte para se apoiar e também para espicaçar Ali, quando ele se mostra cansado. Como Ali detesta a duna, cansa-se com mais frequência do que seria de esperar e Mohammed bate-lhe com o pau no dorso. Por volta do meio-dia, contudo, Ali sente-se realmente cansado. As pegadas parcialmente cobertas de areia dançam-lhe à frente dos olhos, e ele detesta não só a areia e o sol mas também Sidi Mohammed, que não lhe concede ainda descanso algum.
“Espera”, pensa Ali. “Espera! Qualquer dia fujo! Depois, carregas tu a areia às costas e bates no teu próprio traseiro quando andares devagar.”
Ali já tem três anos e é um burro adulto, mas ainda não viu nada do mundo, para além das palmeiras de Sidi Mohammed e, por cima delas, o céu.
Durante o intervalo do meio-dia, Ali mal olha para as tâmaras maduras. Perdido nos seus pensamentos, vai arrancando umas ervas e esfrega as costas contra uma palmeira. Isto é exactamente o mesmo que o coçar da cabeça de Sidi Mohammed. “Esta noite!”, pensa Ali. “Esta noite vou fugir daqui!”
Pelo lusco-fusco, Sidi Mohammed senta-se encostado à cabana. Assim que o sol desaparecer atrás da orla da duna, vai ficar mais fresco. Ali anda a pastar debaixo das palmeiras. Mal escurece, o dono dá um estalido com a língua. Ali acorre obedientemente e desaparece no interior do tabique.
O estábulo de Ali, feito de tábuas, é ao lado da cabana de Sidi Mohammed, e a porta abre para fora. Ali espera até que tudo esteja silencioso, depois levanta-se e força a cabeça pela frincha da porta. Sidi Mohammed tinha deixado a caixa de pé contra a porta. Esta cai no chão de areia. Cheio de medo, Ali espera uns momentos antes de meter o corpo pela frincha da porta. Nada, está tudo calmo!
As estrelas brilham tão intensamente que Ali consegue, sem dificuldade, ver as pegadas na areia. Não sabia que, de noite, as dunas eram tão frias. O ar também é frio. Ali está cheio de frio mas, sem os cestos, faz a subida rapidamente.
Na crista da duna volta-se mais uma vez. Ao fundo da duna, vê as folhas das palmeiras pretas e um ângulo da cabana de Sidi Mohammed. À frente dele, estende-se o deserto, o mundo onde Sidi Mohammed não manda.
E agora, para onde ir? Ali quer seguir em frente, mas em que direcção?
Quando, ao fim de muito tempo, a orla do céu começa a clarear e depois o sol se levanta rapidamente, Ali ainda está a caminhar sem ter visto uma palmeira. Não consegue deixar de pensar no poço de água do oásis. Mas a água, agora, está muito longe.
Terá seguido na direcção errada? Talvez os oásis, as palmeiras, os pastos dos camelos e os poços de água sejam na direcção do pôr do sol. Será melhor voltar para trás? Ali não sabia que também se fica cansado e triste sem cestos de areia.
As dunas sucedem-se umas às outras, todas iguais, como se Sidi Mohammed estivesse a rir-se dele. De repente, Ali dá de caras com um animal sentado, imóvel, na areia. Tem uma cauda espessa, orelhas grandes e pêlo amarelo claro.
— Quem és tu? — pergunta Ali. — Eu sou Ali, o burro de Sidi Mohammed.
O desconhecido olha-o de olhos arregalados de espanto, olhos espertos, e responde:
— Que és um burro, eu sei. Mas és um burro palerma, porque não sabes que eu sou um feneco, uma raposa do deserto.
Ali fica zangado mas, como há horas que não encontra nenhum ser vivo, não deixa transparecer nada. Talvez o feneco possa ajudá-lo!
— O que estás aqui a fazer? — pergunta Ali.
— Ando por aqui a vaguear.
— Também estás à procura de um novo dono?
— Eu não tenho dono, sou livre!
— E quem te dá água e comida? Não vejo por aqui uma única folha de erva!
— És mais burro do que o que eu pensava! Não sabes que todos os animais livres têm de tratar de si? Sou eu que caço as minhas presas, e eu mesmo procuro as nascentes de água. Dá-te por contente por eu não apreciar carne de burro!
— Eu não caço. Prefiro pasto de camelo! — explica Ali dignamente. — Erva é o melhor que podes imaginar! Água, dá-ma o novo dono que vou procurar.
— Aqui não há dono nenhum! — disse a raposa. — Nem erva nem água. Só areia!
— Onde é que há água?
— Isso depende. Se seguires em direcção ao nascer do sol, tens ainda um dia e uma noite pela frente. Se fores em direcção ao pôr do sol, tens meio dia e chegas a um oásis com erva suculenta e água doce. Era o melhor para ti.
— Para aí não quero ir! — atalha Ali rapidamente. — Até hoje andei lá a carregar areia às costas até à crista da duna! Já estou farto, quero ser livre como tu!
— Livre? Então também tens de ser tão rápido como eu e igualmente corajoso. Não podes ter medo da sede nem da fome, o calor e o frio não podem incomodar-te. Tens de amar o vento e a areia, tens de evitar os oásis para não seres apanhado pelos homens. E, além disso, precisas de um pêlo diferente. Os animais livres têm um pêlo amarelo cor-de-areia como sinal de que amam o deserto, mas tu tens um pêlo parecido com pó de argila.
Ali fica abatido. Não tinha imaginado que a vida em liberdade fosse tão difícil.
— Queres ser o meu dono — perguntou após uma longa pausa. — Queres mostrar-me como posso tornar-me livre?
— Não quero contrariar-te — respondeu a raposa — mas acho que foste criado para o oásis. Quem nasceu para o deserto sabe sempre o que quer. Tu tens muitas perguntas. No teu lugar, eu regressaria para Sidi Mohammed. Tornar-me-ia útil, para que ele gostasse de morar comigo no oásis dele.
— Eu sou muito útil! — explicou Ali com orgulho. — Sem mim, o oásis há muito que estaria enterrado na areia e não haveria mais tâmaras doces. Sidi Mohammed vai ficar triste por eu ter fugido.
— E que mais queres? Não é belo transformar a tristeza em alegria? Volta para trás, eu acompanho-te. Sinto simpatia por ti, embora sejas um burrito.
E foi assim que o burro e a raposa se puseram a caminho do poente, um com o pé leve, o outro com o coração pesado… pois Ali ia a pensar no pau de Sidi Mohammed.
Mas como Alá também ama os animais, enviou um sonho a Sidi Mohammed. Este carrega uma jeira de madeira sobre os ombros, de onde pendem, à direita e à esquerda, dois cestos de areia. Devagar, um pé à frente do outro, Sidi avança, ofegante, pela duna acima. O calor do dia é quase tão pesado como a areia que leva às costas. Atrás dele segue Ali. De cada vez que Ali se impacienta, bate com o focinho nas costas de Sidi Mohammed, de tal maneira que o pobre quase cai para a frente. Sidi Mohammed acorda completamente destroçado.
Quando, pela manhã, descobre que Ali fugiu, não fica furioso mas triste. Triste consigo mesmo porque, sem a ajuda de Ali, o bonito oásis ficará soterrado na areia. Sidi Mohammed não tem um camelo e, a pé, não pode ir buscar o burro. Só lhe resta esperar que Ali volte de livre vontade.
O sol já está a pôr-se quando os dois amigos tão diferentes chegam ao seu destino.
— Adeus! — diz a raposa. — Não posso acompanhar-te mais. Estive a pensar em ti. Não é vergonha nenhuma trabalhar no oásis. Quem trabalha é útil e, ao mesmo tempo, valente como os animais livres. Se quiseres, podemos ficar amigos!
— Adeus! — diz Ali, a pensar novamente no pau de Sidi Mohammed.
A raposa afasta-se. As suas patas calcam a areia como uma fiada de pérolas.
Ali inicia a descida até ao fundo do oásis, muito lentamente.
Quando chega às palmeiras, já é quase escuro. Sidi Mohammed está sentado, encostado à cabana. Levanta-se de um salto. “O pau!” pensa Ali, muito assustado. “Ele vai buscar o pau à cabana!” mas Sidi Mohammed não vai buscar o pau. Em vez disso, corre ao encontro de Ali e coça-lhe a cabeça atrás das orelhas.
— Seu desertor! — diz ele. — Ainda bem que voltaste!
Ali, de pé, está muito quieto e sente-se o mais feliz dos burros. E, antes de correr para o poço para finalmente voltar a beber, esfrega a cabeça, agradecido, na túnica de Sidi Mohammed.
Ali detesta a duna. Detesta o sol que nela incide e aumenta a luz e o calor. Só quando descansa à sombra da palmeira, durante a pausa do meio-dia, é que Ali gosta do sol. Deita-se numa ilha fresca que paira numa concha de luz amarela do oásis. Vê como no começo do ano a cevada se ergue amarela dourada entre as palmeiras e, no Verão, espreita as tâmaras na copa das palmeiras. No entanto, os intervalos de descanso numa ilha fresca acabam demasiado depressa.
Ali põe um casco à frente do outro. As suas pegadas são imediatamente preenchidas até meio pela areia que desliza. Às costas leva pendurados, à direita e à esquerda, dois cestos, dos quais vão escorrendo duas tiras amarelas douradas, areia que o vento arrastara até às plantas do oásis. Ali carrega essa areia de volta para o outro lado da crista da duna.
Atrás de Ali segue Sidi Mohammed. Sidi Mohammed não leva nenhum cesto mas sim um pau, em parte para se apoiar e também para espicaçar Ali, quando ele se mostra cansado. Como Ali detesta a duna, cansa-se com mais frequência do que seria de esperar e Mohammed bate-lhe com o pau no dorso. Por volta do meio-dia, contudo, Ali sente-se realmente cansado. As pegadas parcialmente cobertas de areia dançam-lhe à frente dos olhos, e ele detesta não só a areia e o sol mas também Sidi Mohammed, que não lhe concede ainda descanso algum.
“Espera”, pensa Ali. “Espera! Qualquer dia fujo! Depois, carregas tu a areia às costas e bates no teu próprio traseiro quando andares devagar.”
Ali já tem três anos e é um burro adulto, mas ainda não viu nada do mundo, para além das palmeiras de Sidi Mohammed e, por cima delas, o céu.
Durante o intervalo do meio-dia, Ali mal olha para as tâmaras maduras. Perdido nos seus pensamentos, vai arrancando umas ervas e esfrega as costas contra uma palmeira. Isto é exactamente o mesmo que o coçar da cabeça de Sidi Mohammed. “Esta noite!”, pensa Ali. “Esta noite vou fugir daqui!”
Pelo lusco-fusco, Sidi Mohammed senta-se encostado à cabana. Assim que o sol desaparecer atrás da orla da duna, vai ficar mais fresco. Ali anda a pastar debaixo das palmeiras. Mal escurece, o dono dá um estalido com a língua. Ali acorre obedientemente e desaparece no interior do tabique.
O estábulo de Ali, feito de tábuas, é ao lado da cabana de Sidi Mohammed, e a porta abre para fora. Ali espera até que tudo esteja silencioso, depois levanta-se e força a cabeça pela frincha da porta. Sidi Mohammed tinha deixado a caixa de pé contra a porta. Esta cai no chão de areia. Cheio de medo, Ali espera uns momentos antes de meter o corpo pela frincha da porta. Nada, está tudo calmo!
As estrelas brilham tão intensamente que Ali consegue, sem dificuldade, ver as pegadas na areia. Não sabia que, de noite, as dunas eram tão frias. O ar também é frio. Ali está cheio de frio mas, sem os cestos, faz a subida rapidamente.
Na crista da duna volta-se mais uma vez. Ao fundo da duna, vê as folhas das palmeiras pretas e um ângulo da cabana de Sidi Mohammed. À frente dele, estende-se o deserto, o mundo onde Sidi Mohammed não manda.
E agora, para onde ir? Ali quer seguir em frente, mas em que direcção?
Quando, ao fim de muito tempo, a orla do céu começa a clarear e depois o sol se levanta rapidamente, Ali ainda está a caminhar sem ter visto uma palmeira. Não consegue deixar de pensar no poço de água do oásis. Mas a água, agora, está muito longe.
Terá seguido na direcção errada? Talvez os oásis, as palmeiras, os pastos dos camelos e os poços de água sejam na direcção do pôr do sol. Será melhor voltar para trás? Ali não sabia que também se fica cansado e triste sem cestos de areia.
As dunas sucedem-se umas às outras, todas iguais, como se Sidi Mohammed estivesse a rir-se dele. De repente, Ali dá de caras com um animal sentado, imóvel, na areia. Tem uma cauda espessa, orelhas grandes e pêlo amarelo claro.
— Quem és tu? — pergunta Ali. — Eu sou Ali, o burro de Sidi Mohammed.
O desconhecido olha-o de olhos arregalados de espanto, olhos espertos, e responde:
— Que és um burro, eu sei. Mas és um burro palerma, porque não sabes que eu sou um feneco, uma raposa do deserto.
Ali fica zangado mas, como há horas que não encontra nenhum ser vivo, não deixa transparecer nada. Talvez o feneco possa ajudá-lo!
— O que estás aqui a fazer? — pergunta Ali.
— Ando por aqui a vaguear.
— Também estás à procura de um novo dono?
— Eu não tenho dono, sou livre!
— E quem te dá água e comida? Não vejo por aqui uma única folha de erva!
— És mais burro do que o que eu pensava! Não sabes que todos os animais livres têm de tratar de si? Sou eu que caço as minhas presas, e eu mesmo procuro as nascentes de água. Dá-te por contente por eu não apreciar carne de burro!
— Eu não caço. Prefiro pasto de camelo! — explica Ali dignamente. — Erva é o melhor que podes imaginar! Água, dá-ma o novo dono que vou procurar.
— Aqui não há dono nenhum! — disse a raposa. — Nem erva nem água. Só areia!
— Onde é que há água?
— Isso depende. Se seguires em direcção ao nascer do sol, tens ainda um dia e uma noite pela frente. Se fores em direcção ao pôr do sol, tens meio dia e chegas a um oásis com erva suculenta e água doce. Era o melhor para ti.
— Para aí não quero ir! — atalha Ali rapidamente. — Até hoje andei lá a carregar areia às costas até à crista da duna! Já estou farto, quero ser livre como tu!
— Livre? Então também tens de ser tão rápido como eu e igualmente corajoso. Não podes ter medo da sede nem da fome, o calor e o frio não podem incomodar-te. Tens de amar o vento e a areia, tens de evitar os oásis para não seres apanhado pelos homens. E, além disso, precisas de um pêlo diferente. Os animais livres têm um pêlo amarelo cor-de-areia como sinal de que amam o deserto, mas tu tens um pêlo parecido com pó de argila.
Ali fica abatido. Não tinha imaginado que a vida em liberdade fosse tão difícil.
— Queres ser o meu dono — perguntou após uma longa pausa. — Queres mostrar-me como posso tornar-me livre?
— Não quero contrariar-te — respondeu a raposa — mas acho que foste criado para o oásis. Quem nasceu para o deserto sabe sempre o que quer. Tu tens muitas perguntas. No teu lugar, eu regressaria para Sidi Mohammed. Tornar-me-ia útil, para que ele gostasse de morar comigo no oásis dele.
— Eu sou muito útil! — explicou Ali com orgulho. — Sem mim, o oásis há muito que estaria enterrado na areia e não haveria mais tâmaras doces. Sidi Mohammed vai ficar triste por eu ter fugido.
— E que mais queres? Não é belo transformar a tristeza em alegria? Volta para trás, eu acompanho-te. Sinto simpatia por ti, embora sejas um burrito.
E foi assim que o burro e a raposa se puseram a caminho do poente, um com o pé leve, o outro com o coração pesado… pois Ali ia a pensar no pau de Sidi Mohammed.
Mas como Alá também ama os animais, enviou um sonho a Sidi Mohammed. Este carrega uma jeira de madeira sobre os ombros, de onde pendem, à direita e à esquerda, dois cestos de areia. Devagar, um pé à frente do outro, Sidi avança, ofegante, pela duna acima. O calor do dia é quase tão pesado como a areia que leva às costas. Atrás dele segue Ali. De cada vez que Ali se impacienta, bate com o focinho nas costas de Sidi Mohammed, de tal maneira que o pobre quase cai para a frente. Sidi Mohammed acorda completamente destroçado.
Quando, pela manhã, descobre que Ali fugiu, não fica furioso mas triste. Triste consigo mesmo porque, sem a ajuda de Ali, o bonito oásis ficará soterrado na areia. Sidi Mohammed não tem um camelo e, a pé, não pode ir buscar o burro. Só lhe resta esperar que Ali volte de livre vontade.
O sol já está a pôr-se quando os dois amigos tão diferentes chegam ao seu destino.
— Adeus! — diz a raposa. — Não posso acompanhar-te mais. Estive a pensar em ti. Não é vergonha nenhuma trabalhar no oásis. Quem trabalha é útil e, ao mesmo tempo, valente como os animais livres. Se quiseres, podemos ficar amigos!
— Adeus! — diz Ali, a pensar novamente no pau de Sidi Mohammed.
A raposa afasta-se. As suas patas calcam a areia como uma fiada de pérolas.
Ali inicia a descida até ao fundo do oásis, muito lentamente.
Quando chega às palmeiras, já é quase escuro. Sidi Mohammed está sentado, encostado à cabana. Levanta-se de um salto. “O pau!” pensa Ali, muito assustado. “Ele vai buscar o pau à cabana!” mas Sidi Mohammed não vai buscar o pau. Em vez disso, corre ao encontro de Ali e coça-lhe a cabeça atrás das orelhas.
— Seu desertor! — diz ele. — Ainda bem que voltaste!
Ali, de pé, está muito quieto e sente-se o mais feliz dos burros. E, antes de correr para o poço para finalmente voltar a beber, esfrega a cabeça, agradecido, na túnica de Sidi Mohammed.
Hannelore Bürstmayr
Grün wie die Regenzeit
Mödling, Verlag St. Gabriel, 1986
Tradução e adaptação
Grün wie die Regenzeit
Mödling, Verlag St. Gabriel, 1986
Tradução e adaptação
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Resposta:
Filipe-discos ou perfume
Luis-livros
Rui-perfume ou flores
Pedro-flores ou chocolates
Tiago-chocolates ou discos
Participantes: 21
Vencedores: 10
5º ano
Turma D
Ana Francisca nº1
Ana João nº2
Ângela nº4
Beatriz nº 6
Beatriz nº 7
Joana nº17
Margarida nº22
Pedro nº25
6ºano
Turma G
Ricardo nº18
8º ano
Turma F
Vitor, n.º 28
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Questionários aos Hábitos de Leitura - RESULTADOS
A biblioteca levou cabo um questionário que visava conhecer os hábitos de leitura dos nossos alunos. Responderam ao questionário 281 alunos, 132 do sexo masculino e 149 do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 10 e os 11 (88 alunos), entre os 12 e os 15 (192 alunos) e apenas um com mais de 16. Do total dos inquiridos, 50 eram do 5º ano de escolaridade, 53 do 6º, 60 do 7º, 71 do 8º e 47 do 9º.
No que diz respeito à ocupação dos tempos livres, os alunos demonstraram preferência por outros passatempos como ver televisão (67%), ouvir música (65%), navegar na internet (58%), praticar desporto (43%), jogar computador ou consola (43%). Apenas 37% dos alunos referiu que ocupa os tempos livres através da leitura. Quando questionados sobre o hábito de leitura, propriamente dito, a maioria dos alunos (72%) afirmou que costuma ler e entende a leitura como um prazer ou um passatempo. Entre as preferências de leitura dos inquiridos constam os livros (66%), as revistas e os jornais. Dos 28% de discentes que referiram que não lêem, 8,5% afirmou que não o faz por falta de gosto e interesse, 20% porque prefere o computador e a internet, 15% pela preferência pelo desporto, 11% pela televisão e 5% porque não encontra livros do seu interesse nem em casa nem na escola, e os restantes por motivos tão inesperados quanto o sono.
A grande maioria dos alunos afirma que costuma ler de vez em quando (51%), 22% costuma ler todos os dias, 12% ao fim de semana, 8% nas férias. Em média, ao longo do ano, 10% dos alunos mencionou que não lê nenhum livro, 25% costuma ler até dois livros, 27% menos de cinco, 15% entre seis e dez, e 20% mais de dez.
No momento em que o inquérito foi feito, 47% disse que estava a ler um livro, ao contrário dos restantes 53%.
Entre as preferências de leitura dos alunos, figuram sobretudo livros de aventura (77%), Banda Desenhada (40%), ficção científica (21%), policiais (21%), romances (20%), diários (19%), livros de poesia (13%), de história (12%) e de teatro (9%). Dos autores mais “queridos” destacaram-se Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Alice Vieira, Álvaro Magalhães, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner Andresen, J. K. Rowling e Stephenie Meyer
No que se refere à frequência da biblioteca da escola, 65% afirmou que a costuma frequentá-la. Têm uma boa opinião da biblioteca, considerando-a, na generalidade boa (31%), muito boa (30%), excelente (25%), razoável (9%) ou má (6%). Ainda assim, entendem que há aspectos a melhorar, como os livros disponibilizados, o espaço, o material audiovisual ou a organização.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
LER PARA CRER
Eu, Zita Margarida Barreira Esteves, sou natural de Bragança e tenho cinquenta e três anos de idade.Desde muito pequena comecei a ler e procurei meios de encontrar os livros que não podia comprar. Assim, a única possibilidade que tive ao meu dispor foi a Biblioteca Itinerante, que não era mais do que uma carrinha que estacionava quinzenalmente perto da casa onde morava. Para iniciar a minha actividade de leitura foi necessário a minha professora da Escola Primária preencher um cartão com os meus dados e assumir que eu iria cumprir todas as regras. Desde essa altura e quinzenalmente procedia à requisição de livros para leitura domiciliária. Recordo-me que mal chegava às prateleiras dos livros e era a senhora que me ajudava a tirar os livros que queria ler. Podia escolher até seis livros e apenas tinha que os estimar e devolver em boas condições na data estipulada. Sempre cumpri a sua entrega e quase sempre os lia todos nas duas semanas de que dispunha. Quando tal não acontecia requisitava-os de novo.
Comecei por ler as histórias do “Pequenu”, que era um a anãozinho cheio de poderes que tudo resolvia e ajudava quem precisava, Os livros eram ilustrados com maravilhosos desenhos feitos a tinta-da-china. Outros livros de histórias com os contos tradicionais de fadas e de bruxas foram, a par dos livros da “Anita na Praia”, na Quinta, no Circo, na Cozinha, (...), a minha delícia de leitura infantil.
O hábito de ler e a curiosidade fizeram de mim uma leitora assídua. À medida que crescia fui escolhendo livros de maior complexidade, um livro grande e de texto denso era para mim um desafio, não me recordo de alguma vez ter deixado um livro a meio. Gosto muito de ler e quando exerci as funções de Educadora de Infância adorava contar e ler para as crianças do Jardim-de-infância as histórias que os deixavam, a eles e a mim, a sonhar e a fantasiar. A leitura dá-me muito prazer e gosto de ler horas seguidas.
Tenho o hábito de ler por gosto e motivação pessoal. Adoro ler histórias feitas para os mais pequenos, um bom romance, livros policiais, livros científicos, enfim gosto de ler! A minha mãe costumava dizer que o “saber não ocupa lugar” e na verdade através da leitura aprendemos quase tudo o que sabemos. A leitura ajudou-me a ser o que hoje sou, foi através da leitura que aprendi a: justificar, a fundamentar, falar, explicar, estudar, ensinar, comentar, interpretar, analisar, sintetizar, elucidar, criticar, apreciar, elogiar, estimar, avaliar, admirar, considerar, prezar, respeitar, honrar, louvar, exaltar. Só posso louvar todos aqueles que para além de ler se dão ao trabalho de escrever para proporcionar aos outros momentos de elevado prazer e partilhar a sua sabedoria.
Leio porque ler é para mim a tarefa mais agradável que realizo diariamente. Devo confessar que por muito cansada que me sinta ao fim do dia dedico sempre algum tempo à leitura. Em cada livro vivo as personagens, conheço novas paragens, sítios que certamente nunca irei visitar e cuja beleza é transmitida pelo autor. Recebo, através de quem escreve, as emoções, percebo os sentimentos, identifico as percepções, apreendo as reflexões, imagino as vivências que nos diferentes cenários se desenrolam pelos personagens. Muitas são as vezes que procuro dar um final ao livro e confesso que poucas são as vezes que coincide com o final registado pelo autor, mas também isso me agrada. Constitui um exercício e obriga-me a reconstituir o guião, diálogos, cenários, personagens. Enfim, é mesmo uma maravilha.
Neste momento estou a ler “Procuro-te”, de Lesley Pearse, Edições Asa. É um livro muito rico na descrição de sentimentos e emoções. Descreve a vida de uma jovem, filha de uma adolescente solteira que por várias circunstâncias adversas se vê obrigada a abdicar da sua filha e a dá-la para ser adoptada por uma família sem filhos. A morte da mãe adoptiva desencadeia um conjunto de acontecimentos que a levam a protagonista a procurar a mãe biológica e a desvendar o seu passado. Os obstáculos, e a determinação desta personagem são motivo de admiração e grande emoção. Não sei como termina, pois sou incapaz de antecipar a leitura do final, mas estou a gostar imenso!
Escolhi este livro porque tem como base a construção de uma personalidade determinada a vencer a vida, alguém que sofre mas que se sobrepõe traçando um percurso de vida e que apesar dos obstáculos, contrariedades, impedimentos, adversidades e contratempos consegue alcançar o seu objectivo. Os livros ajudam-nos a conhecer e compreender melhor a natureza humana e a realidade.
Estou a gostar imenso porque o amor das várias personagens (Mãe, Pai, irmãos adoptivos) se sobrepõe a tudo, é uma lição de vida que nos ensina que não devemos desistir e que vale a pena o empenho por alcançar o que realmente desejamos.
O livro que mais me marcou foi, “Canja de Galinha para a Alma dos Jovens”, de Jack Confield, Mark Victor Hansen, Kimberly Kirberger, da Nova Era, Lyon Edições.
Porque contém pequenas histórias de vida escritas por jovens. Momentos que os marcaram no seu percurso de vida. São escritas de uma forma muito simples, real e com muita sensibilidade. Conseguem transmitir sentimentos e emoções profundas repletos de sentido. São autênticas lições de vida e coragem, que nos fazem pensar e reflectir.
Aconselho-vos vivamente a lerem:
“O Sétimo Selo”, de José Rodrigues dos Santos, da Gradiva. Aborda de uma forma simples e de agradável leitura os problemas da actualidade numa perspectiva de sobrevivência do planeta assentes numa escolha para o futuro que garanta a sustentabilidade da economia e o abastecimento energético. São apresentados os vários problemas que a acção do homem provocou na alteração das leis naturais que regem a vida. É uma obra que nos presenteia com muitos conhecimentos de Química Física, Biologia ligados às situações reais e que facilmente se compreende a sua aplicação.
“O Sentimento de Si”, de António Damásio, Fórum da Ciência, Publicações Europa - América, Apresenta de forma brilhante e numa linguagem clara e harmoniosa onde o Corpo, a Emoção e a Neurobiologia se conjugam numa investigação científica de como chegamos ao conhecimento e porque temos consciência. É um livro impressionante que vale mesmo a pena ler!
Gostei de poder partilhar convosco as minhas leituras.
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